LUFT, Ignêz Rubert (2010)
Segmentação na Escrita Espontânea de Alunos nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental
Segmentação na Escrita Espontânea de Alunos nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Rio Grande do Sul, 2010. Dissertação de Mestrado Acadêmico (Pós-graduação em Educação)
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
Nome do Orientador: Gesualda dos Santos Rasia
Área: Ciências Humanas: Educação
Assunto: Em Análise
Referencial Teórico: Em Análise
Natureza do Texto: Em Análise
Resumo: Esta dissertação de mestrado tem por objetivo caracterizar a segmentação nãoconvencional na escrita inicial (espontânea) dos anos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental de uma escola municipal de Santo Ângelo (RS). Com base nas discussões sobre letramento e alfabetização, destaca a dupla face da palavra bakhtiniana (simbólica e polifônica), nos termos da linguística descritiva (Câmara Jr. 1970, 1973) na aquisição da palavra escrita (morfológica) em contraponto à fala (fonológica). Neste sentido, problematiza a escrita dicotomizada pela escola elementar moderna, em que a criança (transformada em aluno) se ocupa da aquisição do código gráfico (alfabetização), em detrimento do uso social da linguagem (letramento). Ao focalizar os aspectos morfofonológicos da língua em uso pelo grupo social de referência (na perspectiva da linguística sincrônica), a dissertação parte da forma como os elementos da língua se estruturam e funcionam na escrita espontânea da criança-aluno (no contexto da enunciação). Culmina, assim, com a descrição e análise de diversos textos escritos nas séries iniciais (1ª a 4ª série), em que se constata que os alunos em fase de alfabetização (1ª e 2ª série) escrevem, de fato, fortemente guiados pela pausa prosódica da fala, incidindo na hipossegmentação, problemática que, praticamente, desaparece nas classes adiantadas (3ª e 4ª série). Nos casos de hipersegmentação, todavia, há um equilíbrio entre os aspectos prosódicos e semânticos em todas as séries (1ª a 4ª série), com a diferença de que nas classes de alfabetização (1ª e 2ª série) predominam as razões fonéticas e, nas adiantadas (3ª e 4ª série), crescem as razões mórficas de fracionamento da palavra. Em termos conclusivos, a presente dissertação considera que, nos anos iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª série), a criança-aluno, ao estruturar a palavra escrita na interface do plano semântico (mórfico) e prosódico (fonológico) da palavra no contexto da enunciação (segmentação), reflete seu estado de letramento e sua capacidade de representação gráfica da linguagem social do grupo linguístico de referência.